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Referência Bibliográfica:Documentário ‘O prisioneiro da grade de ferro’

Resenha crítica

O documentário “Prisioneiro da grade de ferro” é um auto-retrato do sistema carcerário brasileiro. Dirigido por Paulo Sacramento, o documentário foi todo filmado no Carandiru e é formado por depoimentos dos detentos e, principalmente, por vídeos feitos pelos próprios prisioneiros. O mais interessante é que os depoimentos são quase puros, ou seja, é o mais perto da realidade da prisão que alguém pode chegar. Os detentos pegam a câmera do diretor e narram seu cotidiano quase sem nenhuma interferência externa.

É importante ressaltar que o documentário não é uma denúncia. É claro que ela está presente nas entrelinhas. O documentário antes de ter o pretexto de denunciar, tem o de mostrar a realidade, fazer de verdade um auto-retrato. Através dos depoimentos, das entrevistas e de pesquisas, Paulo Sacramento mostra a ineficácia do sistema carcerário brasileiro, principalmente em reabilitar os detentos. Além disso, mostra também o descaso das autoridades com os presos. Mostra que não basta ter uma “boa estrutura” prisional se os detentos não melhoram e não têm como voltar a viver em sociedade, porque não existe uma reabilitação adequada dentro dos presídios.

Através do documentário percebe-se a ligação com o tema abordado no nosso trabalho. Assim como as autoridades demonstram descaso com os presos e com a vida deles após o cumprimento da pena, podemos ver o descaso dessas mesmas autoridades com os moradores do Navantino Alves. Um mandato de despejo foi expedido, mas ninguém se pergunta o que vai acontecer com as dezenas de famílias que habitam no prédio. E esse descaso é plenamente conhecido pelos moradores. Durante algumas entrevistas ficou claro que a preocupação do que vai ser da vida deles após o despejo é uma constante. Percebemos que isso vai muito além de pessoas invadindo um prédio abandonado. Esse é só mais um dos problemas que o Governa tenta resolver da forma mais simples, sem ligar para as conseqüências e para as vidas que estão em jogo.

A nossa intenção foi fazer igual ao documentário, dar vozes a alguém que muitos não dão esse direito.

Postado por Natália Zamboni

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